Engenho Massangana é Palco para o Desenvolvimento Social na Semana Nacional de Ciência e Tecnologia
Rafael Mello
Durante manhã e tarde do dia 4 de novembro, o Engenho da Massangana, no município do Cabo de Santo Agostinho (RMR), recebeu atividades da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia da Fundaj. Em sua 11º edição, o evento é vinculado ao Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação, que o promove em todo país por meio de coordenações dos governos estaduais e municipais, instituições de ensino e pesquisa e entidades ligadas ao Ministério, como no caso da Fundaj.
A estrutura do Engenho Massagana foi coberta de stands monitorados por instrutores do Espaço Ciência, parceira da Fundaj. As atividades consistiram em oficinas de origami com material reciclável, feira de livros, palestras, Caravana da Ciência – apresentação de experimentos de física e química de forma dinâmica e didática – e um Planetário Inflável, instalado dentro da capela do Engenho. Além dos vários polos educativos, os alunos da rede pública de ensino puderam conhecer o acervo do Engenho, onde o abolicionista Joaquim Nabuco viveu parte da infância.
“É muito bacana. A gente busca o conhecimento de uma maneira mais interativa, diferente do que eles estão acostumados.”, diz Priscila Nascimento, monitora de química do Espaço Ciência, que mostrava aos jovens de forma descontraída que é possível pegar em fogo sem se queimar.
Quase quatrocentos estudantes, em sua maioria secundaristas, oriundos de escolas situadas no Grande Recife, como no Cabo, Paulista e a própria capital, participaram do encontro ao longo do dia. Logo que chegavam eram recebidos com um kit contendo uma camisa do encontro, uma squeezer, uma caneta, dois mapas, de Pernambuco e do Brasil, cedidos pelo IBGE, além de livros do folclorista e escritor pernambucano Mario Souto Maior. A empolgação era vista quando muitos dos visitantes colocavam imediatamente a camisa do evento.
“É importante trazer as escolas para o espaço da Fundaj. Despertar a curiosidade do jovem”, afirma César Mendonça, um dos organizadores da Semana e pertencente a Diretoria de Pesquisas Sociais (DIPES) da Fundaj.
Para discutir os desenvolvimentos
Em sintonia com o tema anual da Semana: “Ciência e Tecnologia para o Desenvolvimento Social”, o auditório do Engenho Massangana recebeu a palestra “Impactos do Complexo Industrial Portuário de Suape (CIPS): migração, condições de moradia, identidade e novas territorialidades”. A roda de conversa foi ministrada por Danielle Rocha, arquiteta com Doutorado em Geografia; Breno Bittencourt, cientista social com Mestrado em Sociologia, e Helenilda Cavalcanti, Doutora em Psicologia Social e servidora da Fundaj.
As explanações se pautaram em questionamentos sobre como os conceitos de desenvolvimento econômico, sustentável podem funcionar em equilíbrio com a justiça social em prol do desenvolvimento social.
Como exemplo, os palestrantes se basearam no caso de Suape, de importância regional e estratégica. A vinda da refinaria em 2007 causou reconfigurações no espaço urbano e rural da Região Metropolitana do Recife. Os estudantes são testemunhas desse processo de transformação espacial. Entender o aspecto histórico, funcionamento e os efeitos desse desenvolvimento, bem como se posicionar criticamente sobre ele, foram o objetivo dos professores.
Breno Bittencourt procurou discutir se esse progresso traz felicidade, a partir de gráficos de evolução dos índices de Bem-estar social da região. “Se as pessoas que moram lá não estão mais felizes, para que esse desenvolvimento?”, indagou Breno.
“Eles interagiram bastante. Esses temas eles vem muito rapidamente na TV e, hoje, perceberam o impacto na vida deles. Eu tenho certeza que eles saíram daqui com uma formação que vão levar para sua vida escolar e profissional”, comentou Helenilda.
As falas contaram com participação ativa dos presentes. “Foi superinteressante. Levou-me a repensar nossos conceitos para mudar nossas ações. O encontro me motivou a buscar mais especialização e educação”, comenta o estudante Alayê Mayê, de 24 anos.
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