Seminário Felicidade humana, bem-estar de todas as formas de vida e uso prudente da natureza: o novo paradigma de desenvolvimento do Butão
A Fundação Joaquim Nabuco, através de sua Diretoria de Pesquisas Sociais, promoveu, no dia 18 de julho de 2013, das 18h às 21h30h, o Seminário "Felicidade Humana, Bem-estar de todas as formas de vida e uso prudente da natureza: o novo paradigma de desenvolvimento do Butão", na sala Calouste Gulbenkian, da Fundaj/Casa Forte . O encontro teve como palestrantes o Lama Padma Samten, mestre budista, dirigente do Centro de Estudos Budistas Bodisatva e do Instituto Caminho do Meio, no Rio Grande do Sul, que é físico pela UFRGS, onde lecionou por 25 anos; Heloísa Alves Oliveira, que é documentarista, fotógrafa, artista multimídia e educadora, e Clóvis Cavalcanti, que é coordenador-geral da Coordenadoria Geral de Estudos Ambientais e da Amazônia (CGEA), da Fundaj, economista ecológico, membro do Grupo de Trabalho de Peritos Internacionais que está contribuindo para tornar conhecido o paradigma do Butão.

Na abertura do evento, o presidente da Fundaj, Fernando Freire, anunciou que a Fundação está estudando a proposta da implantação de uma pós-graduação em Economia Ecológica. Após a fala de Freire, os palestrantes, situaram aos presentes na platéia da sala Calouste Gulbenkian, da Fundaj, o Butão, que é um país localizado entre a Índia e a China, na Cordilheira do Himalaia, próximo ao Tibet e ao Nepal, que tem apenas 750 mil habitantes e somente 40 mil hectares (menor que o Estado do Rio de Janeiro), sendo a língua oficial o inglês. Pois bem, este país, o Butão, "é referência mundial na produção de bens e serviços com base na Felecidade Interna Bruta (FIB), adicionando-à numa "Pegada Ecológica" ", na expressão cunhada pelo Lama Padma Samten, Heloísa Alves Oliveira e Clóvis Cavalcanti. Clóvis explicou que “A Pegada Ecológica é uma das mais importantes e influentes medição e comunicação deste século”, segundo afirma o primeiro ministro butanês, Jigmi Thinley.
“A Felicidade Nacional Bruta é mais importante que o Produto Interno Bruto”, afirmou Jigme Singye Wangchuck, quarto rei do Butão, em abril de 1986", disse Clóvis. "A partir disso nasce o conceito de CNB, hoje FIB para se contrapor ao Produto Interno Bruto (PIB)", complementou o pesquisador da Fundaj. Para Clóvis "Considerar que o PIB vem depois da felicidade é algo bastante inédito revolucionário e único no mundo: um novo paradigma". E afirmou:“O Butão é o país mais singular com proposta revolucionária e inédita. As pessoas têm capacidade admirável humilde, simplicidade, tolerância e compaixão”.
Justificativa do evento
O pesquisador Clóvis Cavalcanti é membro do Grupo de Trabalho do Novo Paradigma de Desenvolvimento do Butão. Esse país elaborou uma proposta que causa admiração no mundo e data de 1972. Ela foi encampada pela ONU em 2012, a qual pediu ao governo do país que apresente até junho de 2014 um relatório informando como o novo paradigma pode ser adotado em escala mundial. Para isso, o Butão procurou apoio em pesquisadores de diversos países que têm trabalhado com questões como a do desenvolvimento sustentável e economia ecológica, temas de pesquisas realizadas na Fundaj com participação destacada do pesquisador. São, na verdade, mais de 20 anos de trabalhos desenvolvidos na Fundação tendo como foco Economia Ecológica e Sustentabilidade Ambiental, experiência que levou o pesquisador a participar, em nome da Fundação, em 2002-2005, na elaboração da Estratégia de Desenvolvimento de Angola. Para a instituição, é relevante oferecer sua contribuição no esforço de discussão dos rumos do desenvolvimento brasileiro. Tal empenho justifica-se porque a proposta do Butão tem como meta última o que lá se chama de Felicidade Interna Bruta (FIB). Não o PIB. Foi isso o que afirmou o Quarto Rei do país, ao proclamar que uma economia baseada na FIB significa a criação de uma sociedade iluminada, na qual a felicidade e o bem-estar de todas as pessoas e de todos os seres sencientes é o propósito último da governança. E, para se conseguir isso, o modelo concebe um uso ecologicamente prudente e sustentável dos recursos da natureza. Sem esquecer a forte dimensão da espiritualidade, com base no budismo, do paradigma concebido pelo Butão. É aqui que se justifica plenamente um debate, no âmbito, da Fundaj, de um novo paradigma do desenvolvimento, tema da maior relevância na conjuntura brasileira atual.
Objetivos
- Tomar conhecimento da proposta da Felicidade Interna Bruta (FIB) como indicador de desenvolvimento no lugar do PIB (Produto Interno Bruto).
- Discutir a proposta de promoção do desenvolvimento visando a FIB e o bem-estar de todos os seres sencientes com uso prudente e ecologicamente prudente dos recursos da natureza
- Examinar a importância da dimensão da espiritualidade na busca da prosperidade.
- Cruzar experiências de pessoas relacionadas com a proposta do Butão.
Palestrantes
Lama Padma Samten (mestre budista, dirigente do Centro de Estudos Budistas Bodisatva e do Instituto Caminho do Meio, no Rio Grande do Sul. Físico pela UFRGS, onde lecionou por 25 anos), Heloísa Alves Oliveira (documentarista, fotógrafa, artista multimídia e educadora), Clóvis Cavalcanti (coordenador-geral da CGEA, economista ecológico, membro do Grupo de Trabalho de Peritos Internacionais que está contribuindo para tornar conhecido o paradigma do Butão)
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