Pesquisadores da Fundaj participaram de Audiência Pública na Alepe
Neison Freire e Luis Romani discutiram sobre os riscos ao Rio São Francisco após o rompimento da barragem de Brumadinho
Os pesquisadores do Centro Integrado de Estudos Georreferenciados para a Pesquisa Social (CIEG), da Fundação Joaquim Nabuco, Neison Freire e Luis Romani, participaram da Audiência Pública "Os Riscos ao Rio São Francisco após o Rompimento da Barragem da Vale em Brumadinho", convocada pela Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), com organização e mediação do deputado Lucas Ramos.
O debate serviu para que as autoridades entendam com mais clareza as consequências do rompimento da barragem de Brumadinho, em Minas Gerais. O trabalho apresentado pelos pesquisadores utilizou imagens de satélites para mostrar o avanço da lama de rejeitos de Brumadinho pelo rio Paraopeba até a Represa Três Marias, no Rio São Francisco. “Apresentamos nossa pesquisa emergencial, onde mostramos a metodologia que confirma a contaminação. Foi um debate importante. Com o resultado da pesquisa, podem ser criadas ações para diminuir o desastre no âmbito da precaução e antecipação", comentou Neison Freire, pós-doutor em risco de desastre natural.
O pesquisador Luis Romani realizou uma abordagem socioeconômica sobre o desastre ambiental. “Outras barragens podem se romper. Há esse risco. Por isso, mostramos as possibilidades que seriam necessárias para que o estado de Pernambuco se prepare para eventuais problemas", disse.
Para o deputado Lucas Ramos, presidente da Frente Parlamentar de Defesa do Rio São Francisco, a audiência revelou a preocupação com o lado humano da tragédia. "Vidas foram impactadas pelo efeito da contaminação. O desastre afetou o abastecimento humano, o turismo, a geração de energia. Estamos trabalhando em defesa do Rio São Francisco. Nossa preocupação é com o nível de poluição e até que ponto ela compromete a utilização dos seus recursos", explicou.
O deputado elogiou a participação da Fundação Joaquim Nabuco no cenário tão importante e os estudos elaborados e desenvolvidos pelos pesquisadores da instituição. "A Fundação faz pesquisa de alta tecnologia que é importante para todo o Nordeste", acrescentou.
O desastre ambiental deixou 236 mortos identificados e 34 pessoas desaparecidas que ainda não foram identificadas. "Somando os dados temos um número de 270 pessoas, ou seja, ele consegue ser o maior desastre do mundo", finalizou a Presidente da Comissão Nacional de Direito Ambiental da OAB, Marina Gadelha.
Além da participação da Fundaj, a audiência contou também com a participação da Agência Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (CPRH), o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), a Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Sustentabilidade de Pernambuco, o Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco (CBHSF), a Companhia Hidroelétrica do São Francisco (Chesf), a Companhia Pernambucana de Saneamento (Compesa) e a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).
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