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Acompanhamento Logitudinal do Desempenho Escolar de Alunos da Rede Pública do Recife (Isabel Pessoa de Arruda Raposo e Michela Barreto Camboim Gonçalves), 2013 - 2020.

Publicado: Quinta, 08 de Abril de 2021, 10h31 | Última atualização em Quinta, 08 de Abril de 2021, 11h12 | Acessos: 243

Nome da Pesquisa: Acompanhamento Logitudinal do Desempenho Escolar de Alunos da Rede Pública do Recife

Data: 2013 - 2020

Instituição Financeira: Fundaj

Equipe de Pesquisa: Dr. Luís Henrique Romani de Campos, Dr. Morvan de Mello Moreira, Drª. Patricia Bandeira de Melo. Colaboradores Externos: André Maia – Fundacentro/ BA, Cristiano Ferraz – UFPE, Diego Firmino da Costa Silva – UFRPE, Maurício Haas Bueno – PPGPsi/UFPE e Instituto Brasileiro de Avaliação Psicológica –IBAP, Raul da Mota Silveira Neto – PIMES/ UFPE, Tatiane de Almeida Menezes – PIMES/ UFPE.

Coordenador: Drª. Isabel Pessoa de Arruda Raposo, Drª Michela Barreto Camboim Gonçalves

Resumo:

A pesquisa Acompanhamento Longitudinal do Desempenho Escolar de Alunos da Rede Pública de Ensino Fundamental do Recife é um projeto desenvolvido pelo Núcleo de Estudos em Estatísticas Sociais da Diretoria de Pesquisas da Fundação Joaquim Nabuco que tem como principal objetivo medir o desempenho acadêmico dos estudantes, sob duas óticas. Na primeira, a partir da ótica do aluno, a pesquisa analisa como as características sociais, econômicas e culturais do estudante e sua família afetam seu desempenho acadêmico. A segunda ótica se baseia no estudo do impacto e importância das políticas educacionais e insumos escolares para a performance acadêmica dos estudantes. Iniciada em 2013, a pesquisa coletou dados para os anos de 2013, 2017 e 2018 fazendo um acompanhamento longitudinal com mais de 8 mil alunos de 120 escolas públicas do Recife ao longo dos 6º e 7º anos do ensino fundamental, selecionados a partir de uma amostra estratificada definida com base no número de matrículas dos alunos nessas séries e desempenho na Prova Brasil. São investigados estudantes de uma mesma turma, em uma mesma escola ao longo dessas duas séries, o que permite um melhor controle da influência do ambiente da turma e da escola. Na primeira rodada de 2013, foram pesquisados alunos do 6º ano do ensino fundamental de escolas públicas do Recife.

Nesse ano, o acompanhamento longitudinal do aluno se deu apenas nas avaliações de matemática aplicadas ao mesmo educando no início e final do ano letivo, enquanto as informações de questionários para alunos, pais ou responsáveis, professores e diretores foram coletadas em um único momento no ano de 2013. Em 2017 e 2018, foi pesquisado um novo grupo de estudantes do 6º ano (2017) e 7º (2018) de escolas públicas do EF do Recife. Nessas rodadas, o acompanhamento longitudinal do aluno, seus pais ou responsáveis, professores e diretores ocorreu tanto para as avaliações de português e matemática, quanto para os questionários administrados. O caráter longitudinal da pesquisa com dados em painel confere a esta proposta de trabalho uma característica inédita no Brasil, e que do ponto de vista metodológico, permite efetivamente isolar o efeito das políticas educacionais, aos atributos relacionados à família, ambiente social e cultural dos alunos e das escolas. O estudo destaca-se também por aferir um conjunto de informações inovadoras em surveys educacionais de larga escala no Brasil, tais como a mensuração de habilidades não cognitivas ou socioemocionais, o levantamento da rede de amizades do aluno em sala de aula, o georreferenciamento dos endereços residenciais dos alunos e das escolas e a coleta de informações sobre a saúde dos alunos e seus pais.

Em um módulo qualitativo da pesquisa (campos de 2017 e 2018), é investigada a influência do capital cultural familiar sobre os resultados escolares através de entrevistas com subamostras de distintos perfis de capital cultural familiar do aluno. A amostra para o campo de 2013 foi estratificada conforme as matrículas do 6º ano de escolas públicas (municipais e estaduais) do ensino fundamental do Recife e de suas respectivas notas de matemática na Prova Brasil. O Censo Escolar de 2006 (INEP/MEC, 2006), juntamente com as notas de matemática da Prova Brasil (2005), constituíram a base de dados para a construção das informações sobre as escolas públicas recifenses do ensino fundamental avaliadas nesta pesquisa. Do universo de escolas avaliadas na pesquisa foram excluídas aquelas com menos de dez participantes na série avaliada, assim como não foram consideradas as escolas rurais e aquelas destinadas ao atendimento exclusivo de educandos de comunidades indígenas. Foram ainda eliminadas as escolas com informações indisponíveis ou que apresentaram valores iguais a zero para os insumos escolares necessários para construção dos estratos amostrais. Após aplicação desses critérios de seleção, a população alvo da pesquisa compreendeu 28.983 alunos do 6º ano matriculados em 148 escolas da rede pública de ensino localizadas nas seis Regiões Político-Administrativas (RPAs) da cidade do Recife.  

A determinação dos estratos amostrais se baseou em algoritmos iterativos propostos por Lavallée e Hidiroglou (1988). Desse procedimento um total de 17 estratos foram gerados por meio da combinação das notas e matrículas. O plano amostral exigiu que as escolas eleitas fossem selecionadas com probabilidade proporcional aos estratos de matrículas e nota de matemática, por RPAs, conforme consta na população alvo. Sendo assim, uma amostra aleatória simples de alunos foi selecionada e 118 escolas foram então sorteadas para a participação na pesquisa. Adicionalmente duas escolas integraram a amostra com probabilidade 13, totalizando um total de 120 escolas pesquisadas. Em cada uma das 120 escolas selecionadas, sorteou-se uma turma de alunos de 6º ano para participar da pesquisa e, em 26 dessas escolas, duas turmas foram sorteadas devido ao elevado número de matrículas. Como resultado, a pesquisa contou com 4.191 alunos pesquisados num total de 146 turmas. Além disso, os responsáveis por esses alunos, seus professores de matemática e diretores também foram pesquisados, conforme já mencionado.

A principal contribuição a destacar nessa pesquisa é o caráter longitudinal da avaliação do desempenho aluno. A movimentação do estudante na escala de conhecimento ocorrida no período de permanência na escola fornece um dado que mede efetivamente o aprendizado do aluno. O desenho sócio econômico dos alunos pesquisados mostra que o ensino público lida com a base da pirâmide econômica, sendo, portanto, crucial que o mesmo permita a esses indivíduos a oportunidade de melhoria de sua qualidade de vida. Os resultados derivados das entrevistas qualitativas conduzidas para o campo de 2018 demonstram que se o ponto de partida entre os discentes de classes populares de escola pública diverge dos estudantes das classes superiores, as metodologias de ensino não podem ser as mesmas, as políticas de educação devem ser específicas para a diferença de cada campo, parando de se esperar o estudante imaginário e aceitando aquele de carne e osso à sua frente. Somente uma escola com gestores e educadores que compreendem as condições de vida dos educandos - entendendo a fragilidade do capital cultural de origem de muitos deles, a partir daquilo que se legitima como capital cultural legítimo - e adotam uma postura de sensibilidade frente a esta realidade é que é possível fazer uma escola diferente para os estudantes em condições diferentes de existência. Ainda, se a família é condição essencial para a transposição do insucesso escolar, quando o foco do Estado for as famílias cujos pais não detêm o capital cultural necessário para o apoio que os estudantes precisam, este papel familiar deve ser amenizado.  

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