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Cagepa explica alteração no odor da água de Boqueirão de Cabaceiras em Campina Grande

Publicado: Terça, 14 de Agosto de 2018, 10h09 | Última atualização em Quinta, 20 de Dezembro de 2018, 21h38 | Acessos: 287

03/07/2018

Nos últimos dias, os campinenses tem reclamado do odor da água vinda do açude Epitácio Pessoa em Boqueirão, em bairros de Campina Grande.

O gerente da Companhia de Água e Esgotos da Paraíba (Cagepa) Borborema, Ronaldo Meneses, explicou em entrevista a Rádio Correio FM, que coletas estão sendo feitas para encontrar o que pode estar ocasionando o problema, mas, neste primeiro momento, os técnicos da empresa acham que pode ser uma reação causada por resquícios de vegetação no açude de Boqueirão com os agentes químicos, como o cloro.

Ele destacou também que desde ontem a Cagepa aumentou a captação da água através dos flutuantes, que vai ter uma interferência menor nos resquícios de vegetação do que na tomada de fundo.
– Também modificamos a dosagem do cloro, para ver se evita novas reações. Acreditamos que essas medidas normalizem a situação, mas estamos monitorando. A cada denúncia que recebemos, enviamos uma equipe para fazer a coleta. Em diversos momentos é possível lançar mão tanto da tomada de fundo, como da captação flutuante – ponderou.
Ronaldo também destacou que um racionamento neste momento está descartado, mesmo com a suspensão das águas da transposição.

– É natural que o nível do manancial (Boqueirão) começasse a baixar, uma vez que não há mais contribuição da transposição e não há mais entrada das águas de chuvas, além das saídas que conhecemos, que é o sistema de Campina Grande, evaporação, usos autorizados na bacia hidráulica de Boqueirão e as comportas que estavam abertas para o rio Paraíba. Com relação ao racionamento, isso vai depender dos órgãos gestores, que estão com certa tranquilidade para pensar as situações futuras – pontuou.

Redação

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COMENTÁRIOS
João Suassuna – Pesquisador da Fundação Joaquim Nabuco


Em 2006, publiquei um artigo no Repórter Brasil, intitulado, “O Meio Ambiente pede socorro”, no qual já denunciava a questão da má qualidade das águas a serem utilizadas no projeto da Transposição do Rio São Francisco. Naquela ocasião, o açude Poço da Cruz, em Ibimirim (PE), apresentava os mesmos sintomas existentes atualmente no açude de Boqueirão de Cabaceiras, qual seja, o de odor forte de esgoto em suas águas. Não podia ser diferente: em 2006, o inverno ocorreu na mesma intensidade do havido em 2018, na bacia do rio Paraíba, portanto com a drenagem de material orgânico, inclusive de carcaças de animais mortos pela seca, no interior da Caatinga, para dentro do açude.

As consequências disso, dentre outras mazelas, são o odor desagradável que fica pairando no ar, o que vem a despertar os alertas, principalmente ao poder público, em relação ao tratamento diferenciado que tem que ser dispensado às águas dessa represa, notadamente quanto ao seu uso pela população. Além do mais, em relação à qualidade das águas do açude de Boqueirão, já havia denúncias de que esgotos de alguns municípios pertencentes à bacia do Rio Paraíba, inclusive o de Monteiro, estavam sendo drenados para o interior do Eixo Leste do projeto da Transposição. Portanto, essa situação de odor desagradável, existente nas águas de Boqueirão, já era por demais previsível.

Existe um protocolo no Ministério da Saúde, que orienta o poder público no tratamento adequado das águas das represas para uso da população, principalmente no tocante à dosagem dos produtos químicos para desinfecção das mesmas. Nesse sentido, a fiscalização tem que ser eficiente ao cumprimento desse protocolo. Todavia, o que mais preocupa é o serviço de abastecimento do meio rural, por intermédio de frotas de caminhões pipas, o qual retira as águas da represa, para o abastecimento de cisternas rurais, sem o mínimo tratamento delas. Esse tipo de atitude vem se tornando em caso de polícia! A população certamente irá adoecer com a ingestão dessas águas sem a potabilidade adequada! É preciso, portanto, que o poder público se manifeste em relação às providências que estão sendo tomadas a esse respeito, para tranquilizar a população rural usuária.

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