Capacidade de Boqueirão de Cabaceiras cai, e situação deve piorar
Há três meses sem receber água da Transposição do São Francisco, por causa de obras, o açude de Boqueirão ficará sem bombeamento, ainda, até setembro.
Boqueirão perde água. Açude está há 3 meses sem a Transposição, devido as obras em Poções e Camalaú.
Correio da Paraíba
28/06/2018

O açude Epitácio Pessoa, localizado em Boqueirão de Cabaceiras, abastece Campina Grande e outras 18 cidades
O bombeamento de água no Eixo Leste da Transposição do São Francisco completou três meses paralisado no último dia 20 e deve ficar sem funcionar até setembro, segundo informações do Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs). No entanto, para o Ministério da Integração Nacional (MIN), não há paralisação dos trabalhos. Com isso, o açude Epitácio Pessoa vem perdendo recursos hídricos e chegou ontem a 137.829.441 metros cúbicos (m³), o que corresponde a 33,48% da capacidade.
“Está diminuindo porque não temos entrada de água e está liberando para o açude Acauã, que estava com um armazenamento muito baixo. Sai de Boqueirão 0,4 metros cúbicos por segundo para Acauã”, afirmou o diretor do Dnocs no Estado, Alberto Gomes.
A paralisação no bombeamento de água da Transposição está acontecendo em razão das obras nos açudes de Poções e Camalaú, localizados em Monteiro e Camalaú respectivamente no Cariri. De acordo com ele, quando as obras forem concluídas, Boqueirão estará com capacidade de 100 milhões de m³. “Nós vamos entregar a obra apta a receber águas, e aí dependerá do Ministério da Integração para reiniciar a Transposição”, declarou Alberto Gomes.
Mesmo com as obras em andamento, o MIN informou que não foi comunicado sobre a paralisação. “As águas do Velho Chico estão correndo normalmente pelos canais do Eixo Leste, inaugurado em março do ano passado. Não houve interrupção. Atualmente, um milhão de pessoas em 33 municípios da Paraíba e de Pernambuco recebem em suas casas a água do Eixo Leste do Projeto São Francisco”, afirmou o Ministério por meio de nota.
A declaração tornou suspeita a realização da obra nos açudes.Contudo, o presidente da Agência Executiva de Gestão das Águas (Aesa), João Fernandes, falou que a obra é de conhecimento do MIN. “Essas obras são do Ministério e realizada através do Dnocs, órgão federal. Esta informação é certamente um equívoco do Ministério”, afirmou João Fernandes.
A Transposição seria paralisada em 2 de abril, mas deixou de funcionar em 20 de março após problemas no aqueduto Jacaré, localizado entre as cidades de Custódia e Sertânia, em Pernambuco.
Fornecimento garantido
Medidas de economia estavam previstas e outras já começaram a ser tomadas em caso de necessidade no abastecimento. O presidente da Aesa, João Fernandes, afirmou que há um compromisso com o MIN e Dnocs que se precisar será bombeada água durante as obras em Camalaú e Poções. Já o gerente regional da Cagepa, Ronaldo Menezes, disse que são retirados para abastecimento 950 litros por segundo, mas é autorizada a retirada de 1.300 litros. Antes do racionamento, eram 1.352 litros por segundo. Para o secretário de Estado da Infraestrutura, dos Recursos Hídricos, , do Maio Ambiente e da Ciência e Tecnologia, Deusdete Queiroga, há segurança hídrica na região.
BOQUEIRÃO
Nível do açude
Data Volume m³
27/06 33,48%
26/06 33,50%
25/06 33,60%
Fonte: Dnocs
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COMENTÁRIOS
João Suassuna – Pesquisador da Fundação Joaquim Nabuco
Na matéria existe um claro desentendimento de informações entre o poder público estadual e os órgãos federais responsáveis pelos recursos hídricos da nação brasileira. E esse desentendimento pode ser agravado pela proximidade da troca de governantes, a partir de outubro do corrente ano, com as novas eleições. Nesse caso, na guerra entre as ondas do mar (órgãos federais) e o rochedo (órgãos estaduais) quem termina sendo prejudicado é o marisco (o povo paraibano). Ao apagar das luzes da atual gestão, é importante que as autoridades deixem estabelecidas as diretrizes de usos das águas de Boqueirão, com vistas a facilitar os novos encaminhamentos das gestões da represa, pelos dirigentes eleitos, aos quais se espera um tratamento mais claro e eficaz, sem divergências, das águas de Boqueirão, pois, afinal, ela é responsável pela manutenção da vida de cerca de um milhão de pessoas. Caso haja gestão eficiente, o volume acumulado em Boqueirão de Cabaceiras, no inverno de 2018, é mais do que suficiente para o enfrentamento dos dias difíceis que virão pela frente.
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