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O rompimento de um canal da transposição do Rio São Francisco pode ter sido criminoso

Publicado: Terça, 14 de Agosto de 2018, 09h45 | Última atualização em Quinta, 20 de Dezembro de 2018, 21h38 | Acessos: 849

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O SUL

12/08/2018
Foram designadas equipes para verificar todo o perímetro. (Foto: Divulgação/Ministério da Integração Nacional)

Equipes do Ministério da Integração Nacional informaram neste domingo (12) que o rompimento de um canal do Eixo Norte do Projeto de Integração do Rio São Francisco, entre os municípios de Terra Nova e Salgueiro, em Pernambuco, na tarde de sábado (11), tem evidências de ato criminoso.
“Relatos de moradores que vivem no entorno informam que a ação dos envolvidos tinha como objetivo desviar o curso d’água daquele ponto para que fosse possível encher um reservatório nas imediações. Ação semelhante aconteceu em junho do ano passado, em um trecho no município de Cabrobó (PE)”, diz nota divulgada pelo ministério.
A pasta informou que técnicos estão no local atuando para recuperar a estrutura, que deverá ser normalizada em até 48 horas. O ministério conta com o apoio da Polícia Militar do Estado para investigação do episódio.
“Paralelamente, também foram designadas equipes para verificar todo o perímetro e avaliar possibilidades de danos a comunidades no entorno. Nas proximidades do canal não há registro de moradores”, diz o comunicado.
Recursos liberados
O Ministério da Integração Nacional autorizou a liberação de mais R$ 14,8 milhões nesta semana para as obras do Trecho 1 do Cinturão das Águas do Ceará. O empreendimento, que integra o Projeto de Transposição do Rio São Francisco, levará água à Região Metropolitana de Fortaleza e ao Cariri cearense, garantindo o abastecimento de 4,5 milhões de pessoas
O Cinturão das Águas compreende um canal com 145 quilômetros de extensão e está dividido em cinco etapas. A captação da água do Rio São Francisco será feita a partir da barragem Jati, do Eixo Norte Projeto de Integração. A previsão é de que o “Velho Chico” beneficie o Ceará em setembro deste ano.
Para que a oferta hídrica seja garantida, a água será conduzida até o Açude Castanhão, principal responsável pelo abastecimento de Fortaleza e Região Metropolitana.
Abastecimento de água
De acordo com o Ministério da Integração Nacional, mais de um milhão de pessoas em 33 cidades de Pernambuco e da Paraíba já recebem as águas do Rio São Francisco em suas residências, desde a inauguração do Eixo Leste, em março do ano passado.
Ao todo, quando concluído, a Integração do Rio São Francisco custará R$ 9,6 bilhões, o dobro do previsto ainda no governo do presidente Lula. Com 260 quilômetros de extensão o projeto é dividido em três etapas: 1N (140 quilômetros); 2N (39 quilômetros) e a 3N (81 quilômetros).
O Eixo Norte está com 96% das obras finalizadas. Hoje, a etapa 1N possui 1.800 trabalhadores atuando em frentes de serviço com turnos 24 horas. Já os trechos 2N e 3N registram mais de 98% de avanço físico.
Quando os dois eixos do empreendimento estiverem totalmente finalizados, as águas do Rio São Francisco vão garantir a segurança hídrica de 12 milhões de pessoas em 390 municípios de Pernambuco, Ceará, Paraíba e Rio Grande do Norte.
COMENTÁRIOS
João Suassuna – Pesquisador da Fundação Joaquim Nabuco
Traçando-se um paralelo com os rompimentos ocorridos no eixo leste do projeto da Transposição, dá para concluir que os materiais utilizados na construção dos canais do São Francisco foram de segunda qualidade. Esses rompimentos nos dão a nítida sensação de que as placas foram “pregadas com cuspe”. Elas têm rompido do nada, e com muita facilidade, apenas com o fluxos normais das águas. Além do mais, é notório o desleixo havido ao se colocar as placas de concreto nos locais. Segundo o hidrogeólogo José do Patrocínio Tomaz Albuquerque, “a aba rompida não se apoiava em rocha sã e sim em rocha intemperizada”. Deu no que deu, de novo!

Marcos Carnaúba - Engenheiro Civil em Maceió
Caros
Boa tarde.

Alguns se manifestaram sobre a recente ruptura de um ponto do canal da Transposição do rio São Francisco para o Nordeste Setentrional, a propalada água para todos, projeto sobre o qual sempre me manifestei contrário porque terá pequena serventia para os carentes de água, e de tudo.
Mas, aqui, trata-se de discutir Engenharia – e não serventia.

Canais semelhantes, aquedutos, têm sido construídos mundo afora da mesma forma, inicialmente definida pelos americanos. Têm a sua estrutura de base composta de bermas – e fundo – terrosos, compactados e nivelados, sobre os quais se estendem mantas de PEAD (1,5-2,5 mm de espessura) – de preferência texturadas em ambas as faces - devidamente ancoradas nas áreas de circulação no topo do talude. Sobre a manta se executa uma camada de concreto simples – proteção mecânica, também impermeável – de espessura a ser definida no projeto em função das dimensões e do gradiente térmico, contendo juntas de concretagem verticais espaçadas da ordem de 2,5 m. Recomenda-se alternar a concretagem dos painéis de concreto e executar uma boa cura. A tecnologia atual recomenda a mistura de fibras metálicas, ou de polipropileno no concreto  que atuam contra a fissuração. O telamento é outra opção, de montagem difícil, mais onerosa para obras de grande porte.

O concreto armado só é utilizado em pontes-canais e demais estruturas de transição eventualmente existentes.

É assunto de bibliografia nacional escassa e as especificações da obra são desconhecidas.
Deve-se aguardar as conclusões da perícia para se opinar com segurança quais as causas desse sinistro. O rompimento de placas ocorrido há vários meses, foi por falta de engenharia.

Segue uma foto exemplificando o dito.
Marcos Carnaúba
Eng.º Civil Crea 3034 D - PE/FN
CONFEA R.N. 180160565-3
Tels. 82.99981.6748
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Maceió - Alagoas - Brasil
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