Represa de Sobradinho, BA
Estamos iniciando uma atividade semanal de informação, aos interessados, dos estágios em que se encontram os níveis de acumulações volumétricas dos principais reservatórios da Chesf, na bacia do rio São Francisco. No caso específico da região do Submédio São Francisco - local onde é gerada a maior parte da energia elétrica do Nordeste - os reservatórios, principalmente o de Sobradinho, acumulam água no período de novembro a abril, paradisponibilizarem os volumes acumulados, no processo de regularização das vazões do Velho Chico, no período de maio a outubro. Estamos no dia 13/07/2018, portanto, em período no qual os reservatórios estão numa fase dedisponibilização volumétrica.
13/07/2018
Reservatório Data Afluência Defluência Volumes (%)
(m³/s) (m³/s) Atual Ano anterior
Três Marias 12/07 88 246 45,14 25,16
Sobradinho 12/07 410 689 33,34 11,23
Itaparica 12/07 630 642 21,41 17,55
Xingó* 12/07 602 625 - -
* - Não há percentuais acumulados, tendo em vista o rio correr, em seu leito, a fio d´água
06/07/2018
Reservatório Data Afluência Defluência Volumes (%)
(m³/s) (m³/s) Atual Ano anterior
Três Marias 05/07 112 227 45,96 26,35
Sobradinho 05/07 410 713 34,06 11,49
Itaparica 05/07 600 669 21,05 17,75
Xingó* 05/07 547 626 - -
* - Não há percentuais acumulados, tendo em vista o rio correr, em seu leito, a fio d´água
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Fonte: Chesf
Fonte: ANA
COMENTÁRIOS
João Suassuna – Pesquisador da Fundação Joaquim Nabuco
O período é de estiagem na bacia do Rio São Francisco. As vazões do rio encontram-se baixas. Iremos nos limitar a informar, doravante, os seus volumes nos postos de observações volumétricas; as capacidades das represas de Três Marias, Sobradinho e Boqueirão de Cabaceiras (fonte de abastecimento de Campina Grande), bem como a situação volumétrica das principais represas geradoras de energia do País.
Com o período de estiagem na bacia do São Francisco em pleno vigor, as vazões do rio estão em fase de declínio. A tendência agora é de redução das capacidades das represas existentes em sua calha. Três Marias, por exemplo, está com uma afluência de 88 m³/s (na semana passada estava em 112 m³/s) e uma defluência de 246 m³/s (na semana passada estava em 227 m³/s). Esse balanço volumétrico resultou na redução do percentual de sua capacidade acumulada, para 45,14%. Na semana anterior Três Marias estava em 45,96%. Uma redução de 0,82% em uma semana. Francisco de Assis Pereira (Pereira Bode Velho) vem acompanhando a gestão, exercida pela Cemig, nas defluências de Três Marias. Pereira mostra, através de gráficos, que há possibilidades de serem aumentadas as defluências da represa, na recuperação do rio.
Em Sobradinho a sua afluência permaneceu em 410 m³/s. A defluência da represa voltou a se estabilizar no patamar de 689 m³/s (na semana anterior era de 713 m³/s). Nas condições atuais de gestão hídrica, a represa vem depreciando o percentual de sua capacidade. Atualmente, Sobradinho está com 33,34% (na semana anterior estava com 34,06%). Uma diminuição de 0,72% em uma semana.
O percentual das capacidades dos reservatórios das regiões Centro Oeste/Sudeste (os mais importantes do País em termos de geração elétrica) caiu mais um pouco, estando atualmente em 37,80% - 12/07/2018. Na semana passada era de 38,98% - 05/07/2018 (dados ONS). Caiu 1,18% em uma semana, e as tarifas de energia estão sendo cobradas fazendo-se uso da “bandeira vermelha”.
Na Paraíba, o abastecimento de água de Campina Grande voltou à normalidade, mesmo com a interrupção dos bombeamentos da Transposição em direção à represa de Boqueirão de Cabaceiras, a fim de se procederem a reparos no Eixo Leste do Projeto. As últimas informações recebidas das autoridades, sobre as obras, dão conta de atrasos no início dos referidos reparos, deixando, sem previsão, o reinício dos bombeamentos do São Francisco, para Boqueirão. Na atual semana houve denúncias de que as águas de Boqueirão estavam com forte odor de esgotos, provavelmente pelo acúmulo de matéria orgânica no interior da represa, deixando as autoridades apreensivas. Serão necessárias, nesse caso, medidas de correção do problema, inclusive com os devidos esclarecimentos, à sociedade, sobre essa questão. A represa encontra-se, no momento, em processo de depreciação volumétrica, em consequência da diminuição da intensidade das chuvas na bacia do rio Paraíba, fato esse agravado pela interrupção dos bombeamentos do Projeto da Transposição. Segundo a Aesa, na semana (13/07), o percentual volumétrico total da represa é de cerca de 32,63% (na semana anterior era de 32,94%). Portanto, houve uma queda percentual na sua capacidade de cerca de 0,31%, em uma semana. Quando descontados, desse total, o percentual equivalente ao volume morto da represa (8,20%), Boqueirão totaliza um volume útil de apenas 24,43%. Um volume que preocupa para o atendimento das demandas hídricas de uma população estimada em cerca de 800 a um milhão de pessoas (a população de Campina Grande e mais 18 municípios de seu entorno), pelo fato de a quadra chuvosa, na região, encontar-se praticamente encerrada. Prevendo a instabilidade volumétrica da represa de Boqueirão, o Dnocs interrompeu parcialmente a sua defluência, em direção à represa de Acauã. Acauã encontra-se atualmente com percentual volumétrico total de cerca de 11,77% (13/07). Na semana anterior era de 11,93%. Houve, portanto, uma queda no percentual acumulado da represa de cerca de 0,16%. Quando descontados daquele total, o percentual equivalente ao seu volume morto (8,00%), Acauã perfaz um volume útil de apenas 3,77% (na semana anterior era de 3,93%), para o atendimento das demandas de 8 pequenos municípios do Estado. Houve, portanto, uma queda percentual no volume da represa de cerca de 0,16%, em uma semana.
A exploração descontrolada das águas subterrâneas em aquíferos do Rio São Francisco (Urucuia e outros), bem como de usos indevidos de suas águas (furtos e desvios para outros fins) têm, também, interferido nas reduções volumétricas do rio. Houve mudanças na proibição de retirada de água do Velho Chico para o agronegócio, às quartas-feiras. As retiradas passaram a ser quinzenais. Essas estratégias de retiradas das águas do rio para o agronegócio, aliadas aos baixos volumes nas defluências em Sobradinho, dão a dimensão global dos problemas hídricos existentes na bacia do Velho Chico, obrigando as autoridades a prorrogar essa proibição de uso até o final de julho do corrente ano, com possibilidades, inclusive, de ampliação desses prazos, em caso de necessidade.
As vazões do Rio São Francisco, no trecho até Sobradinho, estão se estabilizando em volumes muito baixos. A seguir, são informados os volumes que estão fluindo nos seus postos de observações volumétricas. No posto de São Romão, que na semana anterior estava com 414 m³/s, na atual baixou para 410 m³/s. No de São Francisco, que na semana anterior estava com 364 m³/s, na semana atual baixou para 349 m³/s; no de Bom Jesus da Lapa, que na semana anterior estava com 516 m³/s, na atual baixou para 505 m³/s e no posto de Morpará, que na semana anterior estava com 540 m³/s, nessa semana baixou para 538 m³/s.
Abaixo, as informações dos postos de mensuração de vazões do rio, sob a responsabilidade da Chesf, a fim de que se tenha uma ideia dos volumes afluentes na represa de Sobradinho, nos próximos dias:
Dia 13/07: São Romão – 410 m³/s; São Francisco – 349 m³/s; Bom Jesus da Lapa – 505 m³/s e Morpará – 538 m³/s. (dados da Chesf)
Dia 06/07: São Romão – 414 m³/s; São Francisco – 364 m³/s; Bom Jesus da Lapa – 516 m³/s e Morpará – 540 m³/s. (dados da Chesf)
Dia 29/06: São Romão – 417 m³/s; São Francisco – 366 m³/s; Bom Jesus da Lapa – 501 m³/s e Morpará – 546 m³/s. (dados da Chesf)
Dia 25/06: São Romão – 406 m³/s; São Francisco – 358 m³/s; Bom Jesus da Lapa – 512 m³/s e Morpará – 546 m³/s. (dados da Chesf)
Dia 15/06: São Romão – 417 m³/s; São Francisco – 384 m³/s; Bom Jesus da Lapa – 535 m³/s e Morpará – 569 m³/s. (dados da Chesf)
Dia 08/06: São Romão – 429 m³/s; São Francisco – 403 m³/s; Bom Jesus da Lapa – 542 m³/s e Morpará – 573 m³/s. (dados da Chesf)
Dia 04/06: São Romão – 417 m³/s; São Francisco – 393 m³/s; Bom Jesus da Lapa – 557 m³/s e Morpará – 594 m³/s. (dados da Chesf)
Dia 25/05: São Romão – 429 m³/s; São Francisco – 440 m³/s; Bom Jesus da Lapa – 501 m³/s e Morpará – 546 m³/s. (dados da Chesf)
Dia 18/05: São Romão – 373 m³/s; São Francisco – 341 m³/s; Bom Jesus da Lapa – 432 m³/s e Morpará – 554 m³/s. (dados da Chesf)
Dia 11/05: São Romão – 359 m³/s; São Francisco – 316 m³/s; Bom Jesus da Lapa – 542 m³/s e Morpará – 610 m³/s. (dados da Chesf)
Dia 04/05: São Romão – 387 m³/s; São Francisco – 403 m³/s; Bom Jesus da Lapa – 609 m³/s e Morpará – 680 m³/s. (dados da Chesf)
Dia 27/04: São Romão – 441 m³/s; São Francisco – 502 m³/s; Bom Jesus da Lapa – 739 m³/s e Morpará – 890 m³/s. (dados da Chesf)
Esses dois gráficos comprovam a possibilidade de se aumentar a defluência de Três Marias. Agência Nacional de Águas tem que entender que os níveis e as vazões do Rio São Francisco devam atender, primeiramente, as necessidades de navegação para barcos pequenos, bem como para os próprios peixes.
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